O vento varre as areias do tempo. E no deserto da vida as dunas se movem, algumas começam a se formar, outras a desaparecer, alguma se unem a outras formando imensas cadeias e outras se isolam no meio do nada.
Quem poderá prever o caminho do vento? Quem pode mudar seus caprichos controlando a formação das dunas? existe alguma lógica na formação do deserto? O vento é praticamente imprevisivel, assim como nossas vidas. Algumas vezes traz para nós grãos de segundos, outras kilos de horas e algumas vezes toneladas de anos. E este tempo vai se acumulando em nossas dunas, e de repente, vê-se que aquele simples monticulo se tornou um morro, aquele morro uma montanha.
Assim passamos de crianças a adolescentes, de adolescentes a adultos e de adultos a idosos. Mas quem pode dizer o que é um monticulo e o que é um montanha? Quando se dá a transição? Uma duna pequena para um caminhante cansado é tão intransponivel quanto uma cadeia de montanhas. Assim também é na vida, quem pode dizer quem é criança e quem é idoso? É certo que existem "parametros" culturais que ditam isto mas estes "parametros" são reais?
Existem crianças que devido a sua condição de vida ja viveram esperiências que pessoas com 10 vezes mais sua idade nunca sentiram. E mesmo neste caso será que ter vivido a situação é um bom sinal? Quantas pessoas você conhece que passam por situações dificeis várias e várias vezes sem nunca aprender nada com isto? Enquanto outras que observaram esta situação puderam evita-la sem nunca vivencia-la? Seria a "experiência da idade" igual para todos? O que leva uma criança a se maquiar para parecer mais velha e uma "senhora" a fazer o mesmo para parecer mais nova? Alquem que já em idade avançada resolve "se libertar" esta realmente se libertando ou negando sua condição? Como isto é visto pelas pessoas de mesma idade que ela? Ou pelas pessoas mais novas?
É lugar comum nos filmes e contos o enredo de uma pessoa velha que é julgada pelos outros como um estorvo e no final se descobre que sua experiência de vida é que salva a todos e que seu valor está justamente nisto. Mas vamos parar e pensar um pouco o que é esta "experiencia de vida"? Seriam os conhecimento tecnicos sobre aparelhos e know-how que no mundo atual ja existem mais? Seria seu conhecimento da alma humana que atualmente já é outra? Um jovem hoje pensa o mesmo quando esta era jovem? O mundo continua o mesmo? O que será que esta pensava dos mais velhos quando era jovem? Será que é o mesmo que o jovens pensam dela agora?
O incrivel é que o enredo termina ai. "Uma pessoa idosa é valiosa pela sua experiência de vida, seu conhecimento". E fim. Só não queremos saber que conhecimento é este. Não queremos fazer as perguntas, talves por medo da resposta, talvez para não nos incomodarmos... O certo é que esta pessoa será você amanhã, serei eu. Isto sim é certo, todos envelheremos. E é com este conhecimento que devemos buscar. Talvez ai possamos controlar um pouco o vento que varre as areias do tempo.
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ResponderExcluirInteressante o tema sobre o tempo. Recomendo a leitura sobre a obra do filósofo estóico SÊNECA, senador no Império Romano, durante o Governo de Julio Cesar. A obra é "Da Brevidade da Vida". A vida não é longa nem curta. A duração depende do uso que dela fazemos. Um abraço. Vanderlei
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